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Perdas no varejo chegam a R$ 42,1 bilhões e expõem falhas no controle de validade

Índice médio subiu para 1,65% do faturamento, segundo a Abrappe; em uma loja de mil metros quadrados, o descarte por vencimento pode passar de R$ 8,8 mil por mês

Varejo News

· 2 min de leitura

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Perdas no varejo chegam a R$ 42,1 bilhões e expõem falhas no controle de validade

O desperdício de produtos e as falhas de gestão de estoque seguem entre os maiores gargalos operacionais do varejo brasileiro. Segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas em parceria com a Protiviti, o montante perdido pelo setor chegou a R$ 42,1 bilhões em 2025, o equivalente a um índice médio de 1,65% sobre o faturamento — ante 1,51% no ano anterior. No varejo alimentar e farmacêutico, o prazo de validade expirado figura entre as principais causas de quebras operacionais e de desperdício direto de margem.

Para Michel Jasper, CEO da Web Jasper, a perda por vencimento é um ralo financeiro silencioso nas operações. “Em uma loja típica de mil metros quadrados com faturamento mensal de R$ 2,1 milhões, a ausência de um controle rígido de validade gera prejuízos anuais de cerca de R$ 105,7 mil, mais de R$ 8,8 mil jogados fora todos os meses sem que a diretoria perceba”, explica.

“Com processos de verificação automatizados no chão de loja e a aplicação rigorosa da metodologia PVPS (Primeiro que Vence, Primeiro que Sai), é possível recuperar até 95% desse valor, reduzindo a perda anual para menos de R$ 5,3 mil na mesma operação”, afirma.

Além dos prejuízos diretos ao balanço, a permanência de produtos vencidos nas gôndolas expõe os varejistas a desdobramentos legais e administrativos. Sob a ótica jurídica, a exposição ou venda de itens fora do prazo de validade é enquadrada como crime contra as relações de consumo (Art. 7º, IX, da Lei nº 8.137/90), sujeitando gestores e responsáveis pelo estabelecimento a penas de 2 a 5 anos de detenção. Paralelamente, órgãos como o Procon e a vigilância sanitária podem aplicar sanções administrativas, cujo teto ultrapassa R$ 13 milhões, somadas à apreensão e ao descarte compulsório do lote afetado.

Para além do impacto penal e financeiro, a falha no controle de validade gera danos operacionais e reputacionais de difícil reparação. Caso um consumidor venha a sofrer qualquer agravo à saúde, o estabelecimento responde civil e objetivamente por eventuais danos materiais e morais, resultando em reparações judiciais e em desgaste severo na credibilidade da marca.

Michel Jasper, cuja empresa desenvolve sistemas de controle de validade e planograma integrados ao ERP, em uso em mais de 4.000 pontos de venda no país, aponta as origens do problema na operação. “Falhas no recebimento, compras em excesso e ausência de rodízio de mercadorias no estoque figuram entre as origens do problema. A adoção de ferramentas digitais, com leitores de código de barras em dispositivos móveis e alertas automáticos de validade próxima, permite antecipar ações de rebaixa de preço e liquidação preventiva sem comprometer a rentabilidade”, diz.

“Controlar validade deixou de ser rotina de estoque e virou proteção de margem. Quem junta monitoramento automatizado, processo definido no chão de loja e disciplina de equipe não está só evitando descarte: está protegendo a empresa de autuação e o nome da loja na praça”, conclui.

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