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Black Friday 2026: o plano de seis semanas

Quem decide sortimento em outubro chega à data com estoque certo; quem decide em novembro trabalha com o que sobrou do fornecedor

Retrato de Michel Jasper

Michel Jasper

Colunista · Varejo

· 5 min de leitura

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Black Friday 2026: o plano de seis semanas

Faltam seis semanas para a Black Friday de 27 de novembro, e essa é a janela em que eu prefiro conversar com o varejista. Em mais de dez anos ajudando redes a montar e executar planogramas, vi que quase ninguém perde a Black Friday na sexta-feira. Perde em outubro, quando decide o sortimento no olho, negocia tarde e descobre depois que sobrou o que ninguém queria.

A boa notícia é que ainda dá tempo. Não para redesenhar a loja inteira ou apostar em fornecedor novo, mas para organizar a operação com o que já está contratado.

Black Friday não se planeja como Natal

O varejista que pega o manual da Páscoa ou do Natal, troca a sinalização para preto e repete a estratégia parte de uma premissa errada. Os comportamentos de compra são diferentes.

Na Black Friday, o cliente chega com uma lista mental de produtos que já queria comprar e estava adiando. Compara preços, muitas vezes pelo celular, e decide rápido. Por isso, o planograma precisa privilegiar volume e velocidade: menos itens por ponto, mais profundidade de estoque, preço legível e caminho claro até o produto.

O calendário que ainda cabe no seu outubro

Hoje, 13 de outubro, faltam seis semanas para a Black Friday. O prazo é suficiente, desde que nenhuma etapa seja deixada para a última hora.

13 a 19/10 — Leitura do histórico
Puxe as vendas da Black Friday do ano passado por SKU, identifique os 20 itens de maior giro e estime a demanda com margem de 15% a 20%. Sem esse número, o restante é palpite.

20 a 26/10 — Negociação e pedidos
Garanta o volume das categorias de maior valor e negocie também as condições para devolução ou troca de sobras.

27/10 a 02/11 — Desenho do planograma
Defina pontos extras, número de frentes e altura de exposição. A decisão precisa estar tomada antes da montagem.

03 a 09/11 — Recebimento e conferência
Confira o que efetivamente chegou e ajuste o planograma se houver cortes ou alterações no pedido.

10 a 16/11 — Treinamento
Teste a montagem em uma seção e corrija os problemas antes de levar o modelo para toda a loja.

17 a 23/11 — Montagem e sinalização
Deixe a loja pronta para a semana da Black Friday.

24 a 27/11 — Execução
Monitore ruptura e reposição diariamente.

28 a 30/11 — Escoamento
Use os dias seguintes para trabalhar as sobras. A Cyber Monday, em 30 de novembro, é uma oportunidade natural para isso.

Se algum fornecedor ainda não foi acionado para itens importados ou de produção longa, provavelmente será preciso trabalhar com o estoque disponível. Vale mais aprofundar o estoque dos itens certos do que correr atrás de produtos que não chegarão a tempo.

O layout que vende em dia de volume

Minha regra para Black Friday é simples: poucos pontos, muito evidentes e com profundidade. Espalhar adesivos de oferta pela loja inteira dilui a mensagem.

Monte zonas de oferta logo na entrada, em ilha, com empilhamento organizado. Limite cada zona a 10 ou 15 SKUs. Acima disso, o excesso de opções começa a dificultar a decisão.

Três ajustes merecem atenção:

Preço legível a cinco metros: o cliente precisa entender a oferta sem se aproximar da gôndola.

Complemento ao lado do âncora: pilha, cabo, capa, filtro e refil devem estar próximos do produto principal. É uma forma de preservar margem em uma data de preço agressivo.

Altura dos olhos para a margem: o produto que atrai o cliente pode ficar em uma posição mais baixa. A posição nobre deve ser ocupada pelo item que contribui para a rentabilidade.

A quantidade de frentes também precisa considerar o pico de venda. Frente insuficiente em um item de alto giro pode gerar ruptura na prateleira mesmo com estoque no depósito. Você trouxe o cliente, tem o produto e, ainda assim, não vende.

Por isso, não é preciso mudar a loja inteira de uma vez. Teste uma seção, identifique os problemas e expanda o que funcionar.

Estoque: faltar ou sobrar custa caro

Faltar no pico significa perder a venda. Sobrar depois significa perder margem em liquidação ou por validade. Os dois problemas começam quando a compra é feita sem base histórica.

Parta da venda real do ano anterior e acrescente de 15% a 20% de margem. Se um item vendeu mil unidades, por exemplo, a previsão ficaria entre 1.150 e 1.200 unidades, considerando crescimento e ações promocionais.

Na operação, mantenha os produtos de validade mais curta nas posições de maior fluxo e visibilidade e siga o FIFO durante a reposição.

A equipe também faz parte do planograma

Um planograma que a equipe não entende vira sugestão. E sugestão não sobrevive à semana de pico.

O treinamento pode ser curto: de 15 a 30 minutos com cada turno, mostrando o layout e explicando por que cada produto está naquele lugar. Isso aumenta a chance de a montagem e a reposição seguirem o planejado.

Na Black Friday, o cliente geralmente já decidiu comprar. Precisa encontrar o produto, entender o preço e, quando fizer sentido, conhecer uma alternativa ou complemento. A equipe deve atuar de forma consultiva, sem transformar o atendimento em pressão pela venda.

O que medir para melhorar a próxima Black Friday

O trabalho só se completa quando o resultado é registrado. Quatro indicadores ajudam a avaliar se o planograma funcionou:

Venda por categoria, comparada com a Black Friday anterior e com uma semana comum de novembro.

Conversão da zona de oferta, mostrando quantos clientes que passaram pela ilha efetivamente compraram.

Ticket médio, para avaliar o efeito dos complementos.

Ruptura, de preferência por item e por turno. Saber que faltou é diferente de saber exatamente quando e onde faltou.

Também vale ouvir clientes e equipe. Operadores de caixa e repositores podem identificar problemas que os relatórios não mostram.

Seis semanas bem usadas valem mais que seis meses de intenção

A Black Friday recompensa quem decide cedo e executa de forma consistente. O resultado depende menos de grandes mudanças e mais de três elementos: dado histórico, dimensionamento correto das frentes e uma equipe preparada para o pico.

É assim que a Black Friday deixa de ser um evento de sorte e passa a fazer parte de um processo previsível.

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